segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Vício em crack e outras drogas faz mulheres buscarem laqueadura

Folha de São Paulo O avanço do crack e outras drogas entre grávidas tem feito hospitais brasileiros realizarem laqueaduras a pedido das mulheres. A Folha ouviu cinco maternidades que adotam a prática -- duas no interior de São Paulo, duas na capital e uma em Porto Alegre (RS). Por lei, a laqueadura só pode ser feita em mulheres com mais de 25 anos ou com mais de dois filhos. Ela deve expressar por escrito a vontade, e é proibida a indução à prática. Maternidades ouvidas pela Folha, porém, confirmam que a prática existe e que é cada vez mais comum nos partos ver mães que estão sob o vício do crack. A gravidez, muitas vezes, é resultado de abuso sofrido na rua, enquanto a mulher usava a droga. Na capital, a maternidade estadual Leonor Mendes de Barros faz em média por ano 6.500 partos. Neste ano, 39 grávidas eram usuárias. O hospital não tem levantamento das laqueaduras só em viciadas, mas a operação é feita uma ou duas vezes por mês em casos especiais --viciadas com algum distúrbio psiquiátrico ou soropositivas. Apesar de depender da vontade da mulher, a pressão da família pesa na decisão. "Tenho impressão de que ela é convencida. Geralmente, vem a mãe dela e nos diz "ela engravidou de novo e não se cuida, eu que cuido dos filhos dela", disse a supervisora do Planejamento Familiar Cristina Helena Rama. Próximo à cracolândia, a Santa Casa de SP atende por mês de duas a três grávidas usuárias de crack, em geral jovens de 20 a 30 anos, andarilhas, sem pré-natal, levadas pelo resgate em trabalho de parto e sob efeito da droga. Segundo a médica Sonia Tamanaha, do setor de planejamento familiar, são mulheres que sequer conseguem informar dados pessoais. A Santa Casa não sabe estimar quantas delas passaram pela laqueadura. Em Araraquara (273 km de SP), a Santa Casa teve três casos de bebês que nasceram neste ano e em 2010 com crise de abstinência de cocaína, devido ao vício das mães. Neste ano, foram cinco viciadas em crack. Diretor da maternidade da Santa Casa, Leonardo Alberto Cunha diz não ter dados das esterilizações, mas que ele já fez duas laqueaduras em dependentes químicas. "As famílias nos procuram. Não é rotina, mas nesses casos eu executo, porque são casos de alta dependência. A mulher já tem dois, três bebês, um de cada pai." O procedimento ocorre, diz, com a avaliação de outros médicos. Há casos também em Porto Alegre, no Grupo Hospitalar Conceição. Neste ano, em uma das maternidades do grupo, três de 111 grávidas viciadas passaram por laqueadura. Segundo o diretor-técnico Neio Lúcio Fraga Pereira, há consultório de rua que aborda pessoas com crack --entre elas, há grávidas. Na Mater, em Ribeirão Preto (313 km de SP), um estudo mostrou que 23% das grávidas consumiam álcool. De janeiro a novembro deste ano, foram 357 laqueaduras --não há dados de usuárias. REVERSÃO Segundo o Ministério da Saúde, a laqueadura tubária é irreversível em 95% dos casos. A escolha tem partido das mulheres, convencidas pela família ou após orientação médica. Em 2010, foram 38.752 laqueaduras via SUS, número em queda desde 2007. Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

A cada ano, cerca de 200 milhões de pessoas usam drogas ilícitas no mundo

O Estado de São Paulo Uso é maior nos países desenvolvidos, onde as pessoas têm renda mais alta Um novo estudo da revista médica britânica ´The Lancet` aponta que o grande número de doenças no planeta está ligado ao uso de drogas ilícitas. Fundamentada na estimativa de que cerca de 200 milhões de pessoas utilizam substâncias proibidas todo ano, a pesquisa aponta que existe um usuário de drogas a cada 20 pessoas com idades entre 15 e 64 anos. E que o uso é maior nos países desenvolvidos, em que as pessoas têm renda mais alta. Realizado pela equipe da professora Louisa Degenhardt, do Centro de Pesquisa Nacional de Drogas e Álcool, da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália, e do professor Wayne Hall, do Centro de Pesquisa Clínica da Universidade de Queensland, em Brisbane, o estudo mostra que a ilegalidade das substâncias derivadas do ópio (opióides), as anfetaminas, a cocaína e a cannabis (maconha) impedem que se chegue ao número exato de usuários. Além disso, também não é possível especificar quantas dessas pessoas têm problemas com as drogas, incluindo aqui os dependentes. Os estudiosos ainda apontam que, devido às limitações dos dados sobre a extensão do uso e a natureza dos danos relacionados, não há como fazer estimativas de drogas como o ecstasy, as alucinógenas, os inalantes, as substâncias benzodiazepínicas, como o Valium, e os anabolizantes esteroides. De acordo com relatórios sobre Drogas e Crime, feitos pelas Nações Unidas, o consumo de cannabis parece ser maior na Oceania (Austrália e Nova Zelândia) em que cerca de 15% das pessoas, entre 15 e 64 anos, são usuários da droga. Já o uso de opióides, incluindo a heroína, é maior no Oriente Médio (até 1,4%). No caso das anfetaminas, a Oceania também aparece no topo do ranking, com até 2,8% dessa faixa etária fazendo uso de drogas como a metanfetamina cristal - mas aqui sem incluir o ecstasy. A cocaína é a substância mais consumida na América do Norte, com 1,9%. Apesar dos números, os pesquisadores destacam que nenhum método estimativo é ideal para avaliar todas as drogas ou todos os países. Existem quatro grandes tipos de efeitos adversos à saúde do uso de drogas ilícitas: efeitos tóxicos agudos, incluindo overdose; efeitos agudos de intoxicação, tais como lesões acidentais e violência; desenvolvimento de dependência e efeitos adversos de uso sustentado, tais como doenças físicas. De acordo com o estudo, a maconha é responsável por poucas mortes, sendo que as que ocorrem geralmente são acidentais. No entanto, a droga provoca dependência e contribui para o surgimento de transtornos mentais. Já os opióides ocasionam quatro tipos de efeitos: oferecem maior risco de dependência, talvez afetando 1 em cada 4 usuários, e são os principais contribuintes para a morte prematura devido a overdoses, muitas vezes em combinação com outras drogas, bem como acidentes, suicídios e violência, além do desenvolvimento de aids e hepatite. Eles também são responsáveis por dependência, infecções crônicas e doenças do fígado. Segundo os pesquisadores, não há como conseguir respostas inteligentes para os problemas das drogas sem dados concretos e mais precisos. "Esta necessidade é especialmente urgente em países de alta renda, com taxas substanciais de uso de drogas ilícitas, e em países de baixa e média renda, que estão perto de áreas de produção de drogas ilícitas", dizem. Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Compostos da maconha podem ter efeitos contrários no cérebro

Hype Science Dois componentes da maconha têm efeitos opostos em algumas regiões do cérebro. Um produto químico, chamado tetraidrocanabinol (THC), aumenta os processos cerebrais que podem levar a sintomas de psicose – como alucinações ou delírios. Enquanto isso, outro composto, chamado canabidiol (CBD), pode “negar” esses sintomas, como indica um novo estudo. Os resultados do novo estudo realizado em Londres são os primeiros a usar imagens cerebrais para demonstrar a razão pela qual sintomas de psicose surgem em usuários de maconha. De acordo com pesquisadores, o principal motivo disso acontecer pode ser o THC, que interfere na capacidade cerebral de distinguir quais são os estímulos importantes – o que os pesquisadores chamam de uma anormal atribuição de relevância. Pesquisas anteriores descobriram que o THC pode induzir sintomas de psicose em pessoas saudáveis e piorar os sintomas em pessoas que já tem problemas psiquiátricos. O novo estudo ainda indica que, a longo prazo, o consumo de maconha pode estar associado ao aumento do risco de esquizofrenia. O estudo mostrou que homens que ingerem THC apresentam aumento da atividade cerebral na região chamada de córtex pré-frontal, mas menor atividade na região do corpo estriado. É possível que essas mudanças aconteçam porque os níveis de THC alteram o neurotransmissor dopamina. Essas alterações parecem ser decisivas nas características fisiopatológicas da psicose, segundo os pesquisadores. Isso é consistente com evidências de que o corpo estriado e o córtex pré-frontal são alterados durante o processamento de pacientes com psicose, indivíduos com risco altíssimo de psicose e pessoas em estado psicótico induzido por drogas. Por outro lado, os efeitos que o CBD ocasionava no cérebro sugerem o oposto sobre os sintomas psicóticos. De acordo com outros estudos, os resultados sugerem que o composto pode ter potencial para ser um antipsicótico, influenciando a circulação sanguínea no cérebro. Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Álcool é uma das principais causas de morte no mundo

Jornal do Brasil Cerca de 15% dos alcoólatras morrerão de cirrose e 20% a 30% dos casos de câncer estão associados ao consumo do álcool, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp. Esse número ganha proporções ainda mais preocupantes se levarmos em conta que o Brasil ocupa, hoje, o 4º lugar no ranking dos países que mais consomem bebidas alcoólicas o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Considerada uma droga lícita, o álcool figura entre os quatro fatores de risco que desencadeiam doenças crônicas levando à morte, segundo relatório recém divulgado pela OMS. O cigarro, a má alimentação e o sedentarismo são as outras causas apontadas pelo órgão, o que significa que os aspectos comportamentais configuram os principais motivos de mortes no mundo. “A carga de doença ocasionada pelo álcool é muito alta, de 10% a 12% no Brasil, maior que o cigarro”, ressalta o especialista. Segundo ele, não há um controle social do álcool no País, onde existem aproximadamente 1 milhão de pontos de venda, e as propagandas comerciais são descontroladas, o que leva a um aumento do custo das doenças provocadas pela droga. Dentro deste cenário, a nova lei adotada pelo estado de São Paulo que proíbe o consumo e venda de bebida alcoólica para menores de 18 anos representa uma medida positiva para a população, uma vez que nove em cada dez alcoólatras começam a beber ainda na adolescência. Mas para o psiquiatra ainda não é o suficiente, outra atitude "é a proibição da propaganda nos meios de comunicação, cujo projeto de lei tramita no Congresso”, comemora. Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)