sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pesquisa aponta aumento no consumo de crack entre idosos


Condições de vida e abandono são alguns dos fatores que levam ao uso de drogas.

Uma pesquisa da Faculdade de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto aponta que 80% dos 191 idosos, entre 60 e 80 anos, que procuravam o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) queriam tratamento contra o alcoolismo. No entanto, a surpresa dos pesquisadores foi saber que os outros 20% eram viciados em droga.

A maioria desses idosos, com mais de 60 anos, não conseguia largar o crack. Segundo eles, o vício começou há cinco anos e, no início, o consumo era de três a quatro pedras por dia. “Uma droga foi puxando a outra. Primeiro foi a maconha e depois a cocaína”, declarou um dos dependentes químicos que não quis se identificar.

De acordo com a pesquisadora Sandra Pillon, existem vários motivos que levam os idosos ao uso de drogas. “As condições de vida da pessoa, o contexto onde vive, o abandono, o sofrimento mental, as questões de aposentadoria e o dinheiro são alguns desses fatores”, afirma.

Para o coordenador de saúde mental Alexandre de Souza Cruz, a constatação dessa pesquisa é preocupante. “O que dificulta é parar o próprio paciente, pois normalmente tem problemas físicos, é mais debilitado, tem pressão alta e diabetes, além de outros problemas que com o uso da droga se agravam”.

Um homem de 60 anos, pai de um adolescente, tenta pela sexta vez largar as drogas. Ele se sente arrependido. “O crack roubou de mim tudo o que eu tinha, a começar pela minha dignidade, minha honra destruiu todo meu caráter, me tornou um marginal", lamentou.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Alcoolismo é a terceira causa de mortes no mundo


Considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma verdadeira epidemia, a ingestão excessiva de álcool é a terceira causa de mortes no mundo, atrás somente do câncer e das doenças cardíacas.

Mesmo assim, no Brasil as ações do governo, das ONGs e da sociedade civil se voltam contra o tabagismo e não há campanha O Dia Nacional sem Álcool.


Embora cause danos ao organismo, o cigarro afeta o seu consumidor, que é adulto e tem o direito de decidir se quer ou não consumir o produto. De quaquer forma, o fumo não faz outras vítimas e o indivíduo não pode ter sua liberdade cerceada pelo Estado.

No livro Alcoolismo no trabalho, publicado pela Editora Fiocruz, Magda Vaissman faz um mosaico dos trabalhos publicados pelos maiores especialistas mundiais no tema. A autora enumera os problemas que a doença pode acarretar no ambiente de trabalho e analisa os métodos assistenciais empregados no seu tratamento.

No Brasil, o alcoolismo é o terceiro motivo para faltas e a causa mais freqüente de acidentes. Segundo a Associação dos Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), de 3 a 10% da população brasileira fazem uso abusivo de bebidas. A doença é a oitava causa de concessões de auxílio-doença e consome de 0,5% a 4,2% do PIB.

Em todo o mundo, o alto custo do abuso do álcool em termos de vidas humanas é incalculável. Na França, provoca a morte de 50 mil pessoas por ano, direta ou indiretamente. Isso “equivale à colisão de dois ou três grandes aviões a jato a cada semana”, segundo um relatório encomendado pelo Ministério da Saúde da França.

O álcool é um fator significativo também na violência doméstica, na agressão sexual e principalmente nos acidentes de trânsito. No Rio Grande do Sul morrem em média 20 pessoas nas rodovias nos finais de semana. Quase 30% associado a embriaguez no volante.

A imprensa britânica associa a causa da morte de Amy Winehouse às suas dependências de álcool e drogas. o ex-jogador Sócrates que estava na UTI por doenças hepáticas admitiu ser dependente químico.

A Organização Mundial da Saúde informou, em recente relatório, que 4% de todas as mortes no mundo podem ser atribuídas ao consumo de bebidas alcoólicas. A pesquisa afirma que o uso abusivo provoca 2,5 milhões de mortes todos os anos.

No grupo com idades entre 25 e 39 anos, 320 mil pessoas morrem por problemas relacionados ao álcool, resultando em 9% das mortes nessa faixa etária. A OMS ressaltou ainda que o álcool prejudica a vida não somente de quem o consome em excesso, mas dos que se relacionam com essas pessoas. "Alguém que esteja embriagado pode prejudicar outras pessoas ou colocá-las em risco de acidentes de trânsito ou vitimas de comportamento violento”.

A aprovação e vigência da lei Seca foi um avanço, mas fracassou por falta de fiscalização. Não adianta elaborar a lei, se ela não não pode ser cumprida por falta de mecanismos. Estudos mostram que nas capitais brasileiras, cerca de 150 mil dirigem após ingerir bebidas alcoólicas, alguns morrem e muitos matam.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

90% dos fumantes começa a consumir cigarros na adolescência


Cerca de 90% dos fumantes começa a consumir cigarros na adolescência. Preocupados com a relação entre os adolescentes e o tabagismo, especialistas alertam sobre uso de aditivos em cigarros.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialistas alertaram sobre os malefícios do tabagismo entre os adolescentes. Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 90% dos fumantes inicia consumo ainda na adolescência. A iniciação precoce ao tabagismo pode aumentar em quase o dobro o risco de danos à saúde. Quanto mais cedo se estabelece a dependência à nicotina maior o risco de morte prematura", afirma o pneumologista da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA, Ricardo Meirelles.


Outro dado do levantamento, demonstra que a indústria tem usado artifícios para conquistas este público: 44% dos estudantes brasileiros, entre 13 e 15 anos, que fumam regularmente preferem os cigarros aromatizados. Mais conhecidos como cigarros "com sabor", eles vêm ganhando espaço e contribuem para o tabagismo precoce.


De acordo com o psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, os aditivos disfarçam o gosto e cheiro desagradável do cigarro, contribuindo para o consumo entre jovens. Em razão disso, o combate ao uso das substâncias é o tema deste ano da campanha do Inca e do Ministério da Saúde na data lembrada nesta segunda-feira. "Os adolescentes são atraídos pelos aromas variados, fazendo com que eles fumem cada vez mais e aumentando o risco de dependência. A indústria do tabaco expõe seus produtos em pontos de vendas próximos a balas e doces e utiliza açúcares e aromatizantes justamente para atrair esse grupo e expandir seu mercado consumidor, acrescenta.


O especialista alerta que o tabagismo entre os jovens é preocupante. Ainda de acordo com dados do Inca, dos 23 milhões de fumantes brasileiros, 70% tem menos de 30 anos. "Recentemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma consulta pública sobre a proibição dos aditivos nos produtos derivados do tabaco. A medida sofreu forte repressão da indústria, que tentam inibir as políticas públicas de controle do tabagismo", diz.


O psiquiatra ressalta ainda que a indústria tabagista utiliza o conceito de liberdade comercial para driblar regulações ao setor e ignora os efeitos que a promoção de seus produtos possui junto a crianças e adolescentes. "É preciso desmistificar essa ideia. A liberdade deve ser a do cidadão em preservar sua saúde e criar leis que assegurem seu bem-estar", afirma.

Adolescentes têm fácil acesso ao cigarro

Os adolescentes brasileiros não têm dificuldade para comprar cigarro, apesar de o país dispor de uma que proíbe a venda do produto para menores de idade. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Inca, o percentual de meninas, entre 13 e 15 anos, que já comprou cigarro chega a 52,6% e a 48,1% entre meninos em algumas capitais do país.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Drogas e infertilidade


O álcool tem efeitos devastadores sobre a saúde do indivíduo e sobre as suas relações sociais e familiares. A cada ano, jovens estão consumindo cada vez mais precocemente as bebidas alcoólicas, fazendo parte de um ritual de passagem entre a adolescência e a idade adulta.

Desde os tempos imemoriais, o ser humano tem recorrido ao uso de drogas para escapar da realidade e viver um mundo de fantasia. É extremamente chocante constatar que grandes celebridades do esporte, das artes e de outras profissões utilizam-se de drogas para conseguir alcançar níveis de satisfação e produtividade nas suas áreas de atuação. O consumo de drogas ilícitas vem aumentando substancialmente tornando-se um pesadelo para a humanidade, afetando o relacionamento familiar, provocando repercussões sociais e prejudicando a saúde dos indivíduos.

Além dos efeitos maléficos sobre o corpo e a mente dos usuários, as drogas também prejudicam o sistema reprodutivo. O usuário fica mais suscetível às doenças sexualmente transmissíveis, dificultando a obtenção e evolução de uma gravidez saudável. O álcool e o tabaco - embora consideradas drogas lícitas causam danos irreparáveis tanto quanto a maconha, cocaína, heroína, ecstasy, LSD, crack, narguile, cetamina, inalantes, solventes, ansiolíticos, barbitúricos, ópio, morfina, heroína, oxi, anfetaminas.

Apesar das campanhas publicitárias desencorajando o uso do tabaco, estima-se que no Brasil haja 33,8% de usuários na população masculina e 29,3% das mulheres; sem levar em conta um enorme contingente de fumantes passivos. Mesmo com as atuais tributações de impostos governamentais sobre o cigarro isso não tem sido suficiente para frear o seu uso.

A fertilidade do homem e da mulher é afetada de forma sorrateira em decorrência da ação tóxica das inúmeras substâncias que integram o tabaco, geradoras de radicais livres. A mulher fumante pode ter dificuldade para engravidar, interrupção da gravidez, retardo de crescimento fetal intra-uterino e recém nascido de baixo peso. O seu patrimônio de óvulos é reduzido em decorrência da ação tóxica das substâncias do tabaco e há diminuição do fluxo sanguíneo das artérias que irrigam os ovários. A fertilidade masculina é afetada devido à ação deletéria das substâncias tóxicas e dos radicais livres, produzindo lesões na membrana e no DNA dos espermatozóides. Em casos extremos pode ocorrer morte celular (apoptose) provocando alterações no patrimônio de espermatozóides. Existem repercussões negativas no comportamento sexual, sendo a mais frequente a disfunção de ereção peniana decorrente de dificuldade de irrigação vascular.

Apesar de ser uma droga lícita, o álcool tem efeitos devastadores sobre a saúde do indivíduo e sobre as suas relações sociais e familiares. A cada ano, jovens estão consumindo cada vez mais precocemente as bebidas alcoólicas, fazendo parte de um ritual de passagem entre a adolescência e a idade adulta. Nos últimos 5 anos, os números estatísticos revelaram um aumento de 30% de usuários entre os jovens de 12 a 17 anos e de 25% entre os jovens de 18 a 24 anos. A cerveja é a bebida preferida. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) os jovens alcoolizados constituem 80% das pessoas que morrem em acidentes de trânsito ou homicídios.

O consumo exagerado e persistente pode levar a repercussões negativas sobre a fertilidade masculina e feminina. No homem podem ocorrer: queda da libido e do desempenho sexual, impotência, atrofia das células produtoras de testosterona, dificuldade de ereção e alterações da qualidade do sêmen. Na mulher existem várias repercussões salientando-se a dificuldade para ovular, distúrbios menstruais, aumento do risco de abortamento e possibilidade de mal formação fetal.

Uma constatação preocupante é de que os indivíduos alcoolizados têm um comportamento sexual de risco, expondo-se a doenças sexualmente transmissíveis (DST) principalmente as hepatites e Aids. Atualmente a medicina reprodutiva tem realizado procedimento muito seguro de fertilização in vitro , utilizando a técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) com tratamento especial que evita a transmissão do vírus para o embrião.

* Prof. Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira CRM (13834) é doutor em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e Diretor-Médico da Clínica Profert de São Paulo
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)