sábado, 25 de setembro de 2010

Crack pode provocar parada cardíaca

“O crack tem um efeito avassalador no organismo e na vida do usuário”, avalia a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) de Bauru

Veículo: Jornal da Cidade - Bauru


Mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, o crack é um dos estimulantes mais potentes de que se tem conhecimento. Em poucos meses de uso, o entorpecente provoca forte dependência física e pode levar à morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco.
“O crack tem um efeito avassalador no organismo e na vida do usuário”, avalia a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) de Bauru, Luciana de Oliveira Martins. Ela explica que a droga demora apenas 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos, entre eles forte aceleração dos batimentos cardíacos e aumento da capacidade física e mental.
Mas se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram a aparecer. Em 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário, chegarão inevitavelmente o desgaste físico e a prostração. “Por esse motivo, ocorre essa dependência quase que imediata. O usuário sempre vai querer mais e mais”, frisa Martins, destacando que o consumo elevado da droga pode levar até mesmo a uma parada cardiorrespiratória. Ela avalia que o vício em crack representa um risco ainda maior quando associado ao manuseio de instrumentos de corte, como é o caso dos lavradores nos canaviais, na medida em que altera a capacidade de percepção do usuário.
“Durante o período em que está sob o efeito do crack, o usuário fica tão eufórico que não consegue coordenar suas ações. Ele age apenas mecanicamente”, aponta. Em seis meses de uso contínuo, segundo Martins, o dependente químico já não consegue desempenhar suas atividades cotidianas e começa a apresentar quadros de tristeza e depressão profunda.

Maconha pode afetar cérebro de fetos, diz estudo

Veículo: Folha Online

O estudo da Universidade de Aberdeen, na Escócia, também afirma que alguns remédios vendidos em farmácias --como para tratamento de obesidade-- também poderiam ter efeito no cérebro do feto.
O trabalho analisa a importância de moléculas produzidas naturalmente no cérebro e como algumas células nervosas se reconhecem e se conectam umas às outras.
As moléculas do cérebro endocanabinóides teriam uma função semelhante ao tetraidrocanabinol (THC) da maconha, afetando os mesmos receptores e sinalizando os mesmos sistemas no cérebro.
Qualquer agente que afete essas moléculas pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro, segundo o estudo.
"Nossas descobertas apontam que a integridade deste sistema de sinalização deveria ser mantido e não perturbado para que o cérebro se desenvolva normalmente", diz o professor Tibor Harkany, que participou da pesquisa. "Qualquer coisa que interrompa esse processo, como fumar maconha ou usar algumas drogas que afetam o sistema de sinalização, poderia alterar a funcionalidade do cérebro."
Pesquisas anteriores mostraram que filhos de mães que usaram maconha durante a gravidez tinham tendências maiores de desenvolver problemas com atividades físicas.
A pesquisa foi conduzida com ratos de laboratório e foi publicada na revista científica americana "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Álcool está presente em metade dos acidentes de trânsito

Em Campo Grande, metade dos acidentes automobilísticos envolvem o consumo excessivo de álcool

Conforme o chefe do Centro de Resgate do Corpo de Bombeiros, Major Marcelo Fraiha, a corporação socorre 47 pessoas por dia na Capital, sendo 70% vítimas de acidentes de trânsito. “Isso sem contar as pessoas que são socorridas pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).
Pior, o número de acidentes tem avançado, segundo Fraiha, de forma “assustadora”. Somente no mês passado os Bombeiros registraram 1.249 vítimas em Campo Grande, contra 930 em maio de 2007. “Nossa atividade tem se resumido a atender ocorrências de vítimas da imprudência e do consumo de bebidas alcoólicas”, afirma o chefe do Centro de Resgate.
As bebidas alcoólicas também são apontadas como porta de entrada para outras drogas. Cleonice Alves de Abreu, de 55 anos, viveu o drama de ter um filho dependente do uso de entorpecentes. Após seis anos de dependência química e 8 meses de tratamento, o rapaz que hoje tem 28 anos teve até que se mudar de Campo Grande. Ele consumia pasta base de cocaína.
A mãe, que é evangélica, começou a desconfiar da atitude do rapaz quando já parecia ser tarde demais. “Eu comecei a notar diferenças. Ele saia demais, sem horário para voltar, começou a me agredir e vendia todas as coisas de casa, até saco de arroz ele vendeu”, disse.
O rapaz furtava os objetos da própria casa para comprar drogas. Ele chegou a vender vários eletrodomésticos, entre eles um aparelho de som.
Pior, donos de bocas-de-fumo chegaram a ir até a casa de Cleonice exigindo o pagamento de dívidas e ameaçando o dependente de morte. “Eles batiam na porta da gente e diziam que se ele não fosse lá ia ser morto”, conta a mãe.
Ela diz que as mães precisam preparar os filhos quando crianças para que eles não entrem no mundo das drogas. “Elas tem que começar desde cedo a conversar e explicar o que é a droga. Eles têm que ter a consciência desde pequenos porque a mãe não consegue descobrir no começo”, diz.
Cleonice e o Major Marcelo Fraiha participaram nesta quarta-feira de audiência pública na Câmara Municipal sobre o consumo de venda de bebidas alcoólicas para adolescentes. A audiência, proposta pela presidente da comissão de assistência social, vereadora Maria Emília Sulzer (PMDB), partiu, segundo ela, de uma reivindicação da sociedade.
“Os índices de violência cresceram e precisamos de uma política pública e de programas envolvendo as famílias e jovens, para criar uma ação sustentável de vários órgãos. Hoje, cada um faz um pouquinho, mas não existe uma ação integrada”, afirma a parlamentar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Maconha, o dom de iludir

Folha de São Paulo

Que nem pesquisadores nem a população se iludam de que exista indicação terapêutica para utilizar maconha que já seja aprovada pela ciência

Semanas atrás, a Folha noticiou a proposta de criar-se uma agência especial para pesquisar os supostos efeitos medicinais da maconha, patrocinada pela Secretaria Nacional Antidrogas do governo federal.

Esse debate nos dias atuais, tal qual ocorreu com o tabaco na década de 60, ilude sobretudo os adolescentes e aqueles que não seguem as evidências científicas sobre danos causados pela maconha no indivíduo e na sociedade.

Na revisão científica feita por Robim Room e colaboradores ("Cannabis Policy", Oxford University, 2010), fica claro que a maconha produz dependência, bronquite crônica, insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e, por fim, um comprometimento do rendimento acadêmico ou profissional.

Apesar disso, o senso comum é o de que a maconha é "droga leve, natural, que não faz mal".

Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a maioria não quer legalizar a droga, mas grupos defensores da legalização fazem do eventual e ainda sem comprovação uso terapêutico de alguns dos componentes da maconha prova de que ela é uma droga segura e abusam de um discurso popular, mas ambivalente e perigoso.

O interesse recente da ciência sobre o uso da maconha para fins terapêuticos deveu-se à descoberta de que no cérebro há um sistema biológico chamado endocanabinoide, onde parte das substâncias presentes na maconha atua.

Um dos medicamentos fruto dessa linha de pesquisa, o Rimonabant, já foi retirado do mercado, devido aos efeitos colaterais. Até hoje há poucos estudos controlados, com amostras pequenas, e resultados que não superam o efeito das substâncias tradicionais, que não causam dependência.

Estados americanos aprovaram leis descriminalizando o uso pessoal de maconha, que é distribuída sem controle de dose e qual idade.

Contradição enorme, pois os médicos são os "controladores do acesso" para uma substância ainda sem comprovação científica.

De outro lado, orientam os pacientes sobre os riscos do uso de tabaco. Deve-se relembrar que os estudos versam sobre possíveis efeitos terapêuticos de uma ou outra substância encontrada na maconha, não sobre a maconha fumada.

Os pesquisadores brasileiros interessados no tema devem realizar mais estudos por meio das agências já existentes, principalmente diante do último relatório sobre o consumo de drogas ilícitas feito pelo Escritório para Drogas e Crime das Nações Unidas, que aponta o Brasil como o único país das Américas em que houve aumento de apreensões e consumo da maconha.

E se, no futuro, surgir alguma indicação para o uso medicinal da maconha, o processo de aprovação, que ainda não atingiu os padrões de excelência, deve contextualizar esse cenário, assim como o potencial da maconha de causar dependência.

Espera-se que a política nacional sobre drogas seja redirecionada em caráter de urgência, pois enfrenta-se também aqui o aumento das apreensões e consumo de cocaína e crack, que exige muitos esforços e recursos para sua solução.

Que nem pesquisadores nem nossa população se iludam de que exista hoje uma indicação terapêutica para utilizar maconha aprovada pela ciência.


Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas